Alergia alimentar em bebês e crianças: por que é muito comum?

Introdução

A alergia alimentar em bebês e crianças tem se tornado um tema cada vez mais presente nas consultas pediátricas. De fato, muitos pais procuram orientação após perceber sintomas digestivos, de pele ou respiratórios associados à alimentação.

Quando não diagnosticada corretamente, a alergia alimentar em bebês e crianças pode impactar a qualidade de vida da criança e da família. Por isso, entender como ela surge, quais alimentos estão mais envolvidos e como é feito o diagnóstico ajuda os pais a reconhecer os sinais precocemente.

Nos últimos anos, observamos um aumento importante dos casos de alergia alimentar. Esse crescimento provavelmente está relacionado a fatores genéticos e, sobretudo, a fatores ambientais.

Alergia alimentar em bebês e crianças: por que é muito comum? | Dra. Juliana Guirado

Por que a alergia alimentar parece estar aumentando?

A ciência acredita que o aumento da alergia alimentar em bebês e crianças esteja relacionado a fatores chamados epigenéticos.

Mas o que é epigenética?

Epigenética é a capacidade que o ambiente tem de influenciar a forma como os genes se expressam.

Diversos fatores podem interferir nesse processo, como:

  • hábitos alimentares
  • qualidade do sono
  • exposição a poluentes
  • estilo de vida
  • microbiota intestinal

Essas influências ambientais podem modificar a forma como os genes funcionam e, por conseqüência, afetar o sistema imunológico das próximas gerações.

O que acontece no corpo durante uma alergia alimentar?

Quando consumimos um alimento novo, as proteínas desse alimento entram em contato com o sistema imunológico presente no intestino.

A função do sistema imunológico é avaliar se aquela proteína é segura ou se representa uma ameaça para o organismo. Na maioria das pessoas, o corpo reconhece a proteína como algo seguro e, portanto, não desencadeia nenhuma reação adversa.

Entretanto, na alergia alimentar em bebês e crianças, o sistema imunológico interpreta essa proteína como uma ameaça. Como resultado, passa a desencadear uma reação imunológica que leva ao aparecimento dos sintomas.

O que é uma proteína alimentar?

As proteínas estão presentes em praticamente todos os alimentos. Em outras palavras, elas fazem parte da composição de diversos itens consumidos no dia a dia.

Do ponto de vista biológico, as proteínas são moléculas grandes formadas por cadeias de aminoácidos. Além disso, essas cadeias se organizam em estruturas específicas, que podem apresentar formato tridimensional ou linear.

É justamente essa organização estrutural que, em algumas crianças, pode desencadear uma resposta imunológica. Portanto, dependendo da forma como o organismo reconhece essa proteína, podem surgir manifestações alérgicas.

Quais tipos de reação alérgica podem acontecer?

Na alergia alimentar em bebês e crianças, o organismo pode responder de três maneiras principais.

Reação IgE mediada

Esse tipo de reação costuma ocorrer minutos ou poucas horas após a ingestão do alimento.

Os sintomas podem envolver vários sistemas do corpo, como:

  • pele (urticária ou vermelhidão)
  • sistema respiratório
  • trato gastrointestinal

Em casos mais graves, pode ocorrer anafilaxia, uma reação alérgica grave que exige atendimento médico imediato.

Reação não IgE mediada

Nesse tipo de resposta imunológica, os sintomas surgem horas ou até dias após o consumo do alimento.

Os sintomas costumam afetar principalmente o sistema digestivo, como:

  • vômitos
  • diarreia
  • constipação
  • dor abdominal
  • presença de sangue nas fezes

Reações mistas

Em alguns casos, a criança pode apresentar características dos dois tipos de reação imunológica.

Quais alimentos causam mais alergia?

Veja no infográfico baixo, os alimentos mais frequentemente associados à alergia alimentar em bebês e crianças.

Principais alimentos associados à alergia alimentar em bebês e crianças: leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixe, crustáceos e amendoim.

Outros alimentos também podem desencadear alergia. Algumas frutas, como a banana, também têm sido associadas a reações em algumas crianças.

É possível prevenir alergia alimentar?

Até o momento, não existe uma forma comprovada de prevenir completamente a alergia alimentar em bebês e crianças.

Estudos mostram que:

  • excluir alimentos alergênicos da dieta da mãe durante a gestação não previne alergia
  • atrasar a introdução alimentar não reduz o risco de alergia

Atualmente, recomenda-se iniciar a introdução alimentar por volta dos 6 meses de vida, conforme orientação pediátrica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da alergia alimentar em bebês e crianças depende do tipo de reação imunológica.

Nos casos de alergia IgE mediada, alguns exames podem ajudar na investigação, como:

  • dosagem de IgE específica no sangue
  • testes cutâneos de alergia

Porém, esses exames não confirmam o diagnóstico isoladamente. Eles apenas ajudam a direcionar a investigação. Inclusive, nas alergias não IgE mediadas, esses exames costumam ter pouca utilidade.

Por isso, o diagnóstico continua sendo principalmente clínico.

O que é o Teste de Provocação Oral (TPO)

O Teste de Provocação Oral (TPO) é considerado o padrão-ouro para confirmar a alergia alimentar em bebês e crianças.

Nesse cenário, o alimento é reintroduzido de forma gradual e controlada após um período de exclusão da dieta. Assim, se os sintomas reaparecem, o diagnóstico pode ser confirmado com mais segurança.

Além disso, dependendo do tipo de reação alérgica, o teste pode ser realizado em casa, sob orientação médica, ou, quando necessário, em ambiente hospitalar.

Qual é o tratamento?

O tratamento da alergia alimentar em bebês e crianças consiste, principalmente, na retirada do alimento desencadeante da dieta por um período determinado.

Com o tempo, no entanto, muitos pacientes desenvolvem tolerância ao alimento. Por isso, testes de reintrodução podem ser realizados periodicamente para avaliar se a criança já pode voltar a consumi-lo com segurança.

Além disso, nos casos mais graves, especialmente quando há histórico de anafilaxia, o acompanhamento com um alergista é fundamental.

Por outro lado, quando os sintomas envolvem principalmente o trato gastrointestinal, o acompanhamento com um gastroenterologista pediátrico também pode ser indicado.

Sobre a especialista

Dra. Juliana Guirado é médica pediatra, com especialização em Gastroenterologia Infantil pela Santa Casa de São Paulo e título de especialista pela AMB. Formação sólida e cuidado atento à saúde das crianças.

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