APLV: alergia à proteína do leite de vaca em bebês

Introdução

A APLV (alergia à proteína do leite de vaca) é o tipo mais comum de alergia alimentar na infância. Nos últimos anos, tem recebido mais atenção devido ao aumento dos casos.

A APLV em bebês pode causar sintomas variados, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. Embora seja mais frequente nos primeiros meses de vida, também pode ocorrer em crianças pequenas.

Com o passar dos anos, a tendência é que o organismo desenvolva sensibilidade, ou seja, possa ser consumido. Por isso, reconhecer os sinais precocemente é essencial para um manejo adequado.

APLV: alergia à proteína do leite de vaca em bebês | Dra. Juliana Guirado

O que o bebê pode sentir?

Os sintomas da APLV em bebês podem variar bastante, já que eles dependem da resposta imunológica e da região do trato gastrointestinal mais afetada.

Veja no infográfico abaixo, os principais sintomas.

Os principais sintomas da APLV em bebês são: regurgitação frequente (semelhante ao refluxo), irritabilidade excessiva, recusa alimentar, dificuldade para ganhar peso, vômitos, diarreia e presença de sangue nas fezes.

Por isso, é importante observar o comportamento do bebê e possíveis mudanças após a alimentação.

É possível ter APLV sem sintomas intestinais?

Sim. A APLV (alergia à proteína do leite de vaca) pode se manifestar de diferentes formas.

Geralmente, ela ocorre por dois mecanismos principais:

Reações IgE mediadas

Nesse caso, os sintomas aparecem rapidamente e podem incluir:

  • lesões na pele
  • sintomas respiratórios
  • reações sistêmicas, como anafilaxia

Reações não IgE mediadas

Aqui, os sintomas costumam surgir horas ou dias depois e afetam principalmente o trato gastrointestinal.

Portanto, nem sempre a APLV em bebês se limita ao intestino.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da APLV em bebês é essencialmente clínico.

O pediatra avalia:

  • história clínica
  • exame físico
  • evolução de peso e crescimento

Quando há suspeita, inicia-se a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta por cerca de 2 a 4 semanas. Sempre que houver melhora, o próximo passo é a reintrodução da proteína.

Esse processo é chamado de Teste de Provocação Oral (TPO) — considerado o padrão-ouro para diagnóstico.

Se não houver melhora com a exclusão, outras causas devem ser investigadas.

Existe exame para APLV?

Não existe um exame isolado que confirme a APLV em bebês.

Testes como IgE específica no sangue e cutâneos podem ajudar nos casos de alergia IgE mediada.

No entanto, esses exames não confirmam nem excluem o diagnóstico sozinhos.

Como retirar a proteína do leite da dieta?

A forma de exclusão depende da alimentação do bebê.

Bebês em aleitamento materno

A mãe deve retirar da sua dieta completamente:

  • leite de vaca
  • derivados

Por conseqüência, isso evita a passagem de proteínas pelo leite materno.

Bebês em uso de fórmula

É necessário substituir por:

  • fórmulas de aminoácidos livres
  • fórmulas extensamente hidrolisadas

Na fase diagnóstica, muitas vezes optamos por fórmulas de aminoácidos livres, mas isso dependerá dos sintomas e da gravidade do quadro clínico. 

Posso usar fórmula sem lactose ou de soja?

Não.

  • Fórmulas sem lactose ( SL) não resolvem o problema, pois a alergia é à proteína, não ao açúcar do leite ( lactose).
  • Fórmulas de soja não são recomendadas para bebês menores de 1 ano, salvo situações específicas.

Posso oferecer leite de cabra ou outros leites?

Também não.

As proteínas de leites de outros mamíferos são muito semelhantes às do leite de vaca.

Por isso, o organismo pode reagir da mesma forma, mantendo a alergia.

Como é o tratamento?

O tratamento da APLV em bebês consiste na exclusão total da proteína do leite de vaca da dieta.

Após um período, realiza-se novamente o Teste de Provocação Oral (TPO) para avaliar se houve desenvolvimento de tolerância.

Inclusive, muitos bebês deixam de apresentar alergia ao longo do tempo.

No entanto, é fundamental que o diagnóstico seja estabelecido de forma adequada, a fim de não restringir alimentos importantes da dieta das crianças. Além do impacto nutricional, restrições desnecessárias podem trazer prejuízos ao desenvolvimento e ao convívio social da criança. Por isso, a avaliação e o acompanhamento com um profissional capacitado são essenciais para garantir um manejo seguro e individualizado.

Sobre a especialista

Dra. Juliana Guirado é médica pediatra, com especialização em Gastroenterologia Infantil pela Santa Casa de São Paulo e título de especialista pela AMB. Formação sólida e cuidado atento à saúde das crianças.

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